Em breve restará apenas uma videolocadora Blockbuster nos Estados Unidos

Folha de S. Paulo-Mercado

Empresa fechou as últimas lojas que controlava diretamente em 2013, mas restaram algumas sob licença


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Locadora de vídeos Blockbuster em Bend, Oregon - Associated Press


17.jul.2018 às 18h30


  A locadora de vídeos Blockbuster em Bend, Oregon, continua a se defender com firmeza e determinação contra a expansão dos serviços digitais de streaming como a Netflix e a HBO.


Em breve, a loja, em uma cidade a 240 quilômetros de Portland, será a última sobrevivente da um dia popular cadeia de locadoras de vídeo, cujas duas últimas lojas no Alasca estão para fechar.


No Alasca, a dificuldade de conexão com redes wifi e de recepção de sinais de TV ajudou a manter à tona as locadoras de vídeo físicas. Mas os gerentes das lojas de Anchorage e Fairbanks anunciaram em um post de Facebook na quinta-feira que as lojas seriam fechadas, e que planejavam uma liquidação de seu acervo de filmes.


A Blockbuster fechou as últimas centenas das lojas que controlava diretamente em 2013, mas lojas que usam a marca Blockbuster sob licença, como a de Bend, mantiveram as portas abertas.
Sandi Harding, gerente geral da loja do Oregon, trabalha na Blockbuster desde 2004, e disse que não havia planos de fechá-la, no futuro previsível.


"Continuamos a ter um núcleo central de clientes que sabem que somos uma empresa local, e são muito leais; eles vêm à loja toda semana", disse Harding. "Todo mundo se cansa de ficar sentado em casa olhando para o celular e o laptop, e sem manter qualquer interação pessoal".


A Blockbuster de Bend oferece DVDs, videogames e filmes em Blu-ray, e sempre operou como uma loja de cidade pequena, em seus 18 anos de atividade.


Harding disse que nas manhãs de terça-feira ela vai ao Walmart ou Target para comprar os filmes mais recentes. Os doces que ela vende na loja são comprados da Costco, para reduzir o custo de comprá-los de distribuidores.


Mais de uma década atrás, a Blockbuster operava mais de nove mil lojas nos Estados Unidos. A Dish Network adquiriu a massa falida da empresa em 2011, depois que ela já havia sido destruída distribuidores digitais de vídeo como a Netflix.


Um porta-voz da Dish disse que continuam a existir lojas licenciadas da Blockbuster fora dos Estados Unidos, em países como Austrália, Brasil e Noruega.


A loja de Anchorage ganhou espaço na mídia este ano quando o humorista John Oliver, que apresenta o programa "Last Week Tonight With John Oliver", na HBO, adquiriu adereços de filmes leiloados pelo ator Russell Crowe e os doou para exposição na loja, com o objetivo de torná-la mais popular. Oliver disse que o programa pagou US$ 7 mil (R$ 27,2 mil) por uma tanga de couro usada por Crowe no filme "A Luta Pela Esperança", que Crowe colocou à venda para "celebrar" seu divórcio.


 Alan Payne, o dono das lojas no Alasca, disse que não tem planos para os adereços depois do fechamento das lojas.


Payne disse que quando conversou com o produtor do programa de Oliver, este ano, avisou que provavelmente fecharia a loja de Anchorage em breve. Os objetos atraíram visitas de turistas, mas isso não bastou para salvar a loja.


"Tínhamos mais problemas do que seria possível resolver com um monte de tralhas de Russell Crowe", ele disse no sábado.


Em Fairbanks, a loja da Blockbuster era um ponto de encontro local para muita gente que não tem dinheiro para pagar por serviços de internet ou TV a cabo, disse Kelli Vey, a gerente da loja, no sábado.
Para algumas pessoas, essa era a única opção de entretenimento, porque sua recepção de sinais de TV é ruim, que trabalha na Blockbuster há quase 30 anos.


"Vi essas famílias crescendo, e os filhos dessas famílias começarem a vir à loja com seus filhos", ela disse.


Agora que as duas lojas que restavam no Alasca estão sucumbindo às dificuldades financeiras, Vey se viu forçada a dar a má notícia para os clientes que tornaram uma visita à loja parte de sua rotina semanal.


Vey conta, por exemplo, que uma mãe de acolhimento costumava alugar filmes para educar as crianças que cria sobre a responsabilidade que a locação envolve, e sobre respeitar o horário de entretenimento.


Vey disse, sobre seus clientes, que "infelizmente já não restam tantos deles que venham à loja regularmente, porque as pessoas pararam de vir".


 


The New York Times 

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