Rival de Trump, truque da Netflix e atores desempregados: 7 curiosidades do Emmy

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Samantha Bee no programa Full Frontal: detonada por Donald Trump, ela teve sete indicações


LUCIANO GUARALDO - Publicado em 14/07/2018, às 06h40


Os indicados ao Emmy 2018 foram anunciados na quinta (12) e, devido à supremacia de Game of Thrones e à ascensão da Netflix, alguns fatos curiosos podem ter passado batidos pelo público. A gigante do streaming, por exemplo, deu um verdadeiro truque para emplacar algumas de suas séries na premiação. E, como estatueta não paga boleto, alguns atores indicados torcem para conseguir novos papéis, já que estão desempregados.


E o que dizer de Samantha Bee? A comediante, que comanda o programa Full Frontal, virou inimiga número um de Donald Trump ao chamar a filha do presidente, Ivanka, de "cunt" (um dos xingamentos mais ofensivos da língua inglesa). O político exigiu a demissão da loira, aproveitando a polêmica do cancelamento de Roseanne, mas o canal TBS bancou sua funcionária e a manteve no ar.


A aposta deu certo: o Full Frontal conseguiu sete indicações, inclusive de melhor programa de variedades. Ficou à frente de outras atrações do gênero, como Jimmy Kimmel Live! (duas nomeações) e The Late Show with Stephen Colbert (três).


Jimmy Fallon, que foge das controvérsias políticas e foi criticado quando brincou com o topete de Trump ao invés de aproveitar a presença dele no seu talk show para fazer perguntas incisivas, sequer foi lembrado pelos votantes da premiação.


"Não dá para fazer o programa se eu estiver com medo ou me sentindo intimidada. A história [contra Trump] continua, e as pessoas que trabalham no noticiário não deveriam esquecer [o que o presidente já fez de errado]. Eu não vou esquecer. Nenhum de nós deveria", disse Samantha ao Deadline após as indicações.


Confira outras curiosidades sobre os indicados ao Emmy 2018:


divulgação/Netflix



 


Tituss Burgess e Ellie Kemper em cena de Unbreakable Kimmy Schmidt: ator foi indicado


Netflix deu o truque
Líder em indicações neste ano, a Netflix precisou dar alguns truques nas regras do Emmy para superar a HBO na disputa. A última temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt, por exemplo, foi dividida em duas partes _assim, a comédia também poderá concorrer na premiação do ano que vem. Já o drama Seven Seconds, cancelado após uma temporada, foi inscrito como minissérie.


 


Os dois golpes deram certo: Kimmy foi indicada a melhor comédia e Tituss Burgess concorre como ator coadjuvante. Já Regina King, protagonista de Seven Seconds, conseguiu uma vaga entre as estrelas de minisséries ou telefilmes. Se ela fosse inscrita como atriz de série dramática, teria uma competição mais froz.



 


Matthew Rhys e Keri Russell na última temporada de The Americans: em busca de papéis


Reconhecidos, mas sem emprego
Como o Emmy reconhece produções exibidas entre 1º de junho de 2017 e 31 de maio de 2018, até séries que chegaram ao fim há mais de um ano concorrem. Isso gera situações em que atores desempregados podem ser indicados. É o caso do próprio Tituss, que já terminou de gravar a última temporada de Kimmy Schmidt.


Neste ano, nomes como Keri Russell e Matthew Rhys (de The Americans) foram lembrados, embora a série tenha acabado em maio. Pior ainda para Tatiana Maslany, indicada por Orphan Black: o drama sobre clones exibiu seu último episódio em agosto. Nesse tempo todo, ela chegou a ser escalada para uma nova série (Pose), mas foi tirada do elenco, substituída por Charlayne Woodard.


 


Mas o caso mais curioso é o de Claire Foy, Matt Smith, Vanessa Kirby e Matthew Goode. O quarteto concorre pela segunda temporada de The Crown, que não foi cancelada. Seus personagens, contudo, voltarão para o terceiro ano, mas com novos atores, já que o drama histórico avançará no tempo.



 


O cantor latino Ricky Martin concorre ao Emmy por seu papel em American Crime Story


Invasão dos cantores
Nada menos do que seis cantores cravaram indicações ao Emmy por uma rara incursão na atuação. Um dos nomes mais chamativos da lista é o de Ricky Martin, candidato a melhor ator coadjuvante por seu papel em American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace. Seu colega de elenco, Darren Criss, também é músico: ele já cantou na série Glee e recentemente encerrou uma turnê pelos EUA.


John Legend e Sara Bareilles, que estão mais acostumados a concorrer ao Grammy (o Oscar da indústria fonográfica), desta vez vão disputar o Emmy. Eles atuaram em Jesus Christ Superstar Live in Concert, que adaptou o musical da Broadway para um especial exibido na NBC em abril. Brandon Victor Dixon, conhecido por soltar a voz nos palcos de Nova York, também concorre pela atração.


 


Já Lin-Manuel Miranda, cantor e compositor da Broadway, concorre ao Emmy pelo segundo ano consecutivo por uma participação especial na comédia Curb Your Enthusiasm, da HBO. No ano passado, ele foi indicado pelo Saturday Night Live.



 


Ganhador do Emmy 2017, Sterling K. Brown concorre por This Is Us e Brooklyn Nine-Nine


Dose dupla
Enquanto alguns atores apenas sonham com uma indicação, outros nadam de braçada. Sterling K. Brown, por exemplo, vai competir duas vezes: uma como melhor ator em série de drama (por This Is Us, que já lhe rendeu o Emmy no ano passado) e outra como convidado em série de comédia (por Brooklyn Nine-Nine).


Outros atores que concorrem em dobro: Jeff Daniels (por Godless e The Looming Tower), Alex Borstein (por The Marvelous Mrs. Maisel e pela dublagem de Uma Família da Pesada), Bill Hader (por Barry e Saturday Night Live) e Jane Lynch (por The Marvelous Mrs. Maisel e Hollywood Game Night).


 


Mas ninguém supera Donald Glover, queridinho do momento em Hollywood. O astro de Atlanta conseguiu nada menos do que quatro indicações: ator, roteiro e direção pela comédia do FX, além de uma participação especial no Saturday Night Live.



 


Ralph Macchio e William Zabka revivem papéis de Karatê Kid na série Cobra Kai, do YouTube


De olho na internet
A Netflix virou rainha do Emmy, com Amazon Prime Video e Hulu correndo por fora. Mas outros serviços de internet, com produções bem menos conhecidas, também cravaram seus nomes na premiação. O YouTube, por exemplo, conseguiu cinco indicações (inclusive uma para sua primeira série de destaque, Cobra Kai, continuação dos filmes Karatê Kid).


A Apple Music, que ainda está dando os primeiros passos no mundo do audiovisual, cravou uma nomeação, assim como o Facebook. Também foram lembrados os serviços de realidade virtual Oculus (duas indicações) e PlayStation VR (uma), e até o pouco comentado Vimeo concorre três vezes.


 


Os números são tímidos perto das 112 indicações da Netflix, mas já estão à frente da rede The CW, quinta maior emissora de TV aberta nos Estados Unidos e responsável por séries como Flash, Riverdale, Jane The Virgin e Supergirl. O canal não concorre a nenhum Emmy neste ano.



 


Johnny Galecki, Mayim Bialik e Jim Parsons: Big Bang Theory só concorre por tecnicalidade


Só no tapetão?
Um dos programas mais vistos da TV americana, The Big Bang Theory conseguiu no tapetão uma indicação ao Emmy de melhor direção em comédia. Tanto que a série nem estava entre os indicados anunciados na manhã de quinta-feira. A produção sobre os nerds entrou na lista depois, por uma mera tecnicalidade.


 


É que, no ano passado, o Emmy mudou seu regulamento e criou uma norma que impõe a indicação de uma série filmada com mais de uma câmera (geralmente, sitcoms com plateia). Como todos os concorrentes eram rodados com uma única câmera, Big Bang ganhou a vaga extra. A comédia foi lembrada pelo episódio em que Sheldon (Jim Parsons) e Amy (Mayim Bialik) se casaram.

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