Comunicado do Sindicato de SP causa mal-estar na imprensa. Entidade rebate críticas

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Denilson Oliveira | 09/04/2018 18:23


 


No último sábado, dia 7, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) divulgou uma nota repudiando as agressões sofridas por profissionais da imprensa durante a cobertura da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, São Bernardo do Campo, Brasília e Curitiba.


Crédito: Nilton Fukuda/Estadão


 




Porém, trechos do documento vem chamando a atenção de jornalistas e veículos de comunicação, que criticaram bastante o posicionamento da entidade.



O sindicato paulista diz que “essa situação lamentável é resultado também da política das grandes empresas de comunicação, que apoiam o golpe, e que adotam uma linha editorial de hostilidade contra as organizações populares”



Além disso, a entidade afirma que “para impedir que casos de agressão e tentativas de censura se repitam é preciso que se retome a democracia, o que só será possível com Lula livre e com a garantia de o povo brasileiro poder votar legitimamente nas eleições de 2018”



O assunto foi destaque nos portais da Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo. Em sua coluna na
Veja.com, o jornalista Ricardo Noblat criticou o comunicado que, para ele, “condenou as agressões e justificou-as ao mesmo tempo. Imputou a culpa por elas a agressores e a agredidos”. O jornalista concluiu afirmando que o texto é “absurdo, extemporâneo, abusivo para dizer o mínimo”



Já o site “O Antagonista”, dos jornalistas Diogo Mainardi, Mario Sabino e Claudio Dantas publicou nota a respeito com o título: “Os milicianos do jornalismo”.



O Portal IMPRENSA conversou com Paulo Zocchi, presidente do SJSP. Segundo ele, o sindicato reafirma sua posição de repúdio a qualquer violência praticada contra jornalistas. “É necessário garantir o direito de todo jornalista exercer seu trabalho e somos contra qualquer forma de violência”, disse.



Zocchi também comentou a repercussão do comunicado divulgado no final de semana. “Exercemos nossa função institucional que inclui nos expressarmos sobre a situação política do país. A entidade mantém sua posição democrática e não partidária. Entendemos que o país vive um estado de exceção e um golpe envolvendo os três poderes. Avaliamos que os grandes veículos de comunicação têm uma postura favorável ao golpe”



Sobre o trecho do comunicado citando que as agressões só terminariam com a liberdade de Lula, ele afirma que está sendo mal interpretado. “O judiciário vem atropelando algumas questões. Todo o contexto de hostilidade faz parte de um cenário notadamente marcado por excepcionalidades jurídicas e por carência de provas diretamente vinculadas ao ex-presidente. O brasileiro só poderá votar legitimamente com a plena conquista da democracia em nosso país”, disse.  



Agressões


Pelo menos seis repórteres foram agredidos ou ameaçados no sábado, dia 7, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, de acordo com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Na sexta-feira, dia 6, outros três casos de agressão e hostilidade contra a imprensa foram registrados pela associação no local.



Em Brasília, um veículo do Correio Braziliense foi cercado e teve um dos vidros quebrados. Em seu interior estavam uma repórter, uma fotógrafa e o motorista. Uma equipe do SBT e um fotógrafo da Reuters também foram hostilizados pelos manifestantes.



Em Curitiba, onde o ex-presidente está preso desde a noite de sábado na sede da Polícia Federal, os maiores alvos são as equipes de televisão, como Globo, Band e SBT. Gritos de ordem contra a imprensa são feitos nos momentos em que os repórteres fazem passagens ao vivo ou gravam falas diante das câmeras. 



Durante entrada ao vivo no Brasil Urgente de sábado, o repórter Douglas Santucci cobrou um posicionamento por parte do Sindicato dos Jornalistas do Paraná. Segundo ele, naquela tarde, havia pouco policiamento e algumas equipes de TV foram hostilizadas com ovos.



Na tarde de ontem, dia 8, a entidade paranaense divulgou nota de repúdio às agressões e afirmou que “continuará o diálogo com as organizações dos movimentos contra e a favor ao ex-presidente, para que orientem aos manifestantes da importância do papel dos jornalistas. Também entraremos em contato com as assessorias da Polícia Federal e da Polícia Militar do Paraná para que apurem as condições em que se deu a atuação policial ontem e também para que garantam o exercício da profissão e a livre manifestação de ambos os lados”.


 


 


 

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