Da radiodifusão à banda-larga, conheça satélites brasileiros que ajudam no desenvolvimento do país

MCOM

Atualmente, Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas é responsável por levar internet de alta velocidade aos rincões do Brasil


 


 


Publicado em 14/01/2021 10h18 Atualizado em 14/01/2021 12h08



 


Você sabia que um brasileiro foi a primeira pessoa física a colocar um satélite em órbita no mundo? Sabia também que esses equipamentos são essenciais para saber onde há focos de incêndio no país e monitorar florestas? E que um satélite administrado pelo Brasil é o responsável por levar internet de alta velocidade a mais de 12 mil pontos espalhados pelas cinco regiões?


Veja como o país desenvolveu e dominou e a tecnologia por trás desses satélites, tão essenciais para monitorar a Amazônia, atuar na previsão do tempo e auxiliar na defesa do território nacional. Abaixo, fizemos uma linha do tempo que mostra desde o momento em que um entusiasta de programas espaciais fez o primeiro objeto brasileiro a ser lançado para fora da atmosfera até o supertecnológico Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC).


Episódio 01


Dove Oscar 17


O geofísico Júnior Torres de Castro, natural de Botucatu (SP), ficou conhecido no mundo todo como o “pai” do primeiro satélite lançado por um cidadão, e não ligado a uma empresa. Inicialmente, Castro criou um aparelho bastante eficiente nos testes feitos em terra, mas sem a resistência necessária para suportar a pressão atmosférica durante o lançamento.


Depois de uma apresentação bem-sucedida do protótipo Little Brick (ou pequeno tijolo), na Universidade de Utah (EUA), o pesquisador conseguiu a doação de peças e a compra, a preço de custo, de componentes necessários para mandar o próprio satélite para o espaço. Dedicado a radioamadores, o Dove Oscar 17 decolou no dia 21 de fevereiro de 1990, a partir da base espacial de Kourou, na Guiana Francesa. Medindo 23cm por 21cm e pesando cerca de 13 kg.


Inspirado pela exploração espacial desde 1957, quando o Sputinik-1 se tornou o primeiro satélite na órbita da Terra, Castro decidiu que faria o seu. Entre as funcionalidades que deu a seu equipamento estava a transmissão de mensagens de crianças, de diversas partes do mundo, em que pediam paz entre os povos.


 O Dove foi pensado para ter uma vida útil de seis anos, mas operou até 1998, quando a bateria descarregou e o computador de bordo parou de funcionar. Castro morreu em 17 de janeiro de 2018, aos 85 anos.


SCD-1


O Satélite de Coleta de Dados 1 (SCD-1) foi o primeiro totalmente projetado, construído, testado e operado no Brasil. O SCD-1 superou todas as expectativas de tempo de operação e é o equipamento mais longevo do tipo já produzido pelo país. Lançado em 9 de fevereiro de 1993, tinha expectativa de operar por um ano, mas segue enviando informações até hoje.


Entre os dados que o satélite fornece estão a previsão do tempo, o monitoramento do nível de água dos rios e represas, entre outros. O SCD-1 marcou o início do sistema de coleta de dados brasileiros, que fornece dados na área da meteorologia, química da atmosfera, controle de poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.


SCD-2


O segundo Satélite de Coleta de Dados (SCD-2), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), decolou a bordo do foguete americano Pegasus – o mesmo que lançou o SCD-1 – em 22 de outubro de 1998. Ao longo de seus mais de 20 anos de órbita, o SCD-2 já deu mais de 100 mil voltas ao redor da Terra.


O equipamento tem como objetivo a retransmissão de informações para estações receptoras, composta por aproximadamente 750 plataformas automáticas de coleta de dados.


Assim como o SCD-1, a segunda versão do satélite tem aplicações meteorológicas e também ajuda nos estudos sobre correntes oceânicas, marés e planejamento agrícola, por exemplo. O SCD-2 orbita ao redor do planeta a incríveis 27 mil quilômetros por hora, o que significa uma volta completa ao redor do planeta em 1 hora e 40 minutos.


CBERS


O programa CBERS deu origem a seis versões do satélite de sensoriamento remoto. As imagens geradas pelos sistemas são usadas por instituições ligadas ao meio ambiente. O serviço é importante para o controle do desmatamento e queimadas na Amazônia, o monitoramento dos recursos hídricos, áreas agrícolas, crescimento urbano, ocupação do solo e vários outros seguimentos.


O primeiro satélite do programa decolou em 1999 e ficou em funcionamento por 45 meses. Em 2003, após o desligamento da primeira versão, o CBERS-2 entrou na órbita da terra. Depois dele, o CBERS-2B também passou a orbitar o planeta, em 2007. O satélite mais recente da família CBERS, o 4A, foi lançado em 20 de dezembro de 2019.


SGDC


O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) é o projeto brasileiro mais ambicioso. Lançado ao espaço em 4 de maio de 2017, o SGDC é o satélite a serviço do Brasil que orbita mais distante da Terra: a 36 mil quilômetros de altitude.


Como o próprio nome sugere, o SGDC tem uso civil e militar. É ele o responsável por disponibilizar internet de qualidade, gratuita e de alta velocidade a 12.586 pontos espalhados por todo o país. Entre as instituições beneficiadas estão escolas, hospitais, unidades básicas de saúde, comunidades indígenas, quilombolas, entre outras.


O SGDC é o primeiro totalmente operado e controlado pela administração federal, em uma parceria entre a Telebras e os Ministérios das Comunicações e da Defesa. O projeto transforma a vida de brasileiros em locais do país onde empresas de telecomunicação não tem interesse comercial ou capacidade técnica de operar. Desta forma, promove a inclusão social e digital.


O SGDC também cumpre com missões humanitárias. Durante os trabalhos de resgate às vítimas da tragédia de Brumadinho, em no início de 2019, a Telebras instalou quatro pontos de internet de alta capacidade, que foram essenciais para ajudar na comunicação entre as autoridades e a população local.


 


O satélite também ajudou na Operação Acolhida, em Roraima, quando muitos venezuelanos passaram a imigrar para o Brasil para fugir da crise econômica e social que assola a Venezuela.

Voltar